Entra ano, sai ano e a pergunta segue no ar: por que o futsal ainda não é esporte olímpico? Praticada desde os anos 40 como uma adaptação do futebol de campo e oficializada em 1954 a partir da criação da Federação de Futsal do Rio, a mais antiga do planeta, a modalidade tem, há pelo menos três décadas, o desejo de estar dentro dos Jogos Olímpicos de Verão. Mas então o que impede a concretização do sonho? A chave está na falta de representatividade junto ao Comitê Olímpico Internacional (COI).

Enquanto esportes recém-admitidos nas Olimpíadas como surfe, skate e escalada insistiram por anos para estarem nos Jogos Olímpicos, o futsal seguiu inerte. Pior. O distanciamento entre a Fifa, gestora da modalidade desde 1989, e o COI torna o objetivo ainda mais distante.

Contudo, com o passar dos anos, a pressão da comunidade esportiva tem feito o COI abrir o caminho para o tão sonhado entendimento. O ponto de partida foi a adesão do futsal aos Jogos Olímpicos da Juventude. A estreia aconteceu na edição de Buenos Aires 2018.

– Essa parceria entre o Comitê Olímpico Internacional e a Fifa é o que pode levar o futsal às Olimpíadas. A gente escuta um monte de coisas. Primeiro é que não tinha feminino. Agora temos feminino. Depois escutamos que não tinha futsal em muitos países. Já estamos em mais de 180 nações. O ponto é esse. O futsal já está bem estruturado no mundo todo, inclusive nas categorias de base. O que precisa é ter um entendimento entre a Fifa e o COI – disse o supervisor da seleção brasileira de futsal, Reinaldo Simões.

Em 2021, um outro movimento pode ter ajudado o futsal a caminhar para o seu tão sonhado objetivo. Gerido pela Confederação Brasileira de Futsal de 1979 a abril deste ano, o esporte – ao menos a gestão das seleções brasileiras – passou para as mãos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que tem trânsito direto com a Fifa.

– A CBF precisa ser a nossa representante dentro do COI. Se a gente fosse humilde com a Fifusa, a gente talvez pudesse ter tido mais representatividade. Não cabe mais discutir, mas essa coisa não aconteceu de uma forma correta – afirmou o comentarista de futsal da Globo e SporTV, Marcelo Rodrigues.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, e Thomas Bach, presidente do COI, em encontro em 2020 — Foto: Denis Balibouse/Reuters

Marcelo se refere ao período entre 1971 e 1989, quando o futsal internacional era organizado pela Federação Internacional de Futebol de Salão, a Fifusa. Com a entrada da Fifa em 1989, a Fifusa perdeu a força e passou a ser renegada a segundo plano.

Uma das entidades mais poderosas do planeta, a Fifa tem na realização do seu Mundial de Futsal, de quatro em quatro anos, o ponto alto da sua relação com a modalidade. Dentro da Fifa, inclusive, há um temor de que a entrada do futsal nas Olimpíadas possa transformar o torneio olímpico em competição mais importante do calendário internacional.

– Nós precisamos de política e não de politicagem. Não adianta ter um esporte bem jogado, funcionando bem, mas sem representatividade. É chover no molhado. Nós somos apenas o chão da fábrica. O que tem que ser feito é um lobby dentro do Senado ou Câmara, primeiro para regularizar a profissão. Depois vamos procurar as pessoas certas da área política para termos essa representatividade – comentou o auxiliar-técnico da seleção brasileira, Paulinho Cardoso.

Futsal atualmente é praticado em mais de 180 países — Foto: Angel Martinez/FIFA

Outro ponto levantado pela comissão técnica da seleção brasileira é a necessidade de algum representante do futsal estar sempre “batendo na porta” do COI para estar sempre reforçando a vontade da modalidade estar presente nas Olimpíadas.

– Temos que fazer um trabalho de excelência aqui dentro para cobrar da CBF cobrar da Fifa cobrar do COI. Não adianta ficar um só gritando de um lado. Temos que ter representatividade, alguém para bater na porta. Se as modalidades olímpicas estão lá é porque há alguma razão. Temos que mostrar que o futsal é capaz através de representatividade – finalizou o técnico da seleção brasileira, Marquinhos Xavier.

Fonte: G1
Foto: Angel Martinez/FIFA