O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus disse nesta segunda-feira (7) que, com o aumento na transmissão das variantes do coronavírus em todo o mundo, pôr fim a restrições “muito rapidamente” pode ser desastroso àqueles que não foram vacinados.

“Com o aumento global da transmissão de variantes de preocupação, incluindo a variante delta [identificada pela primeira vez na Índia], levantar restrições muito rapidamente pode ser desastroso para aqueles que não foram vacinados”, disse em entrevista coletiva na sede da OMS em Genebra.

A fala de Adhanom acontece no mesmo dia em que governos regionais indianos anunciaram reabertura gradual da economia, após a queda nos números de mortes e casos de Covid-19. A OMS também pediu cautela na realização de grandes eventos esportivos (leia mais abaixo).

 

Reabertura indiana

Na Índia, os governos de Nova Délhi e Mumbai começaram a suspender as restrições impostas durante o período de maior surto da Covid-19. A partir desta segunda, a abertura de comércio não essencial e o transporte público voltam a operar com metade da sua capacidade.

O país asiático foi um dos mais atingidos pelo coronavírus neste ano, após o afrouxamento de regras sanitárias, o surgimento de uma nova variante e o acontecimento de grandes eventos religiosos que incentivaram aglomerações.

No entanto, o país vem experimentado uma redução no número de casos e mortes pela doença, que chegou nesta semana ao seu menor patamar em dois meses, com 100 mil confirmações diárias de infecções e cerca de 2,5 mil mortes a cada 24 horas.

 

Organização de grandes eventos

A OMS não tem autonomia para regular e interferir em decisões de Estado sobre a forma com que a pandemia é direcionada. No entanto, questionado sobre a realização de grandes eventos em países que vivem surtos da doença, como a Copa América no Brasil, o diretor-executivo de emergências, Mike Ryan afirmou que os riscos devem ser avaliados.

“Grandes eventos esportivos internacionais são complexos e requerem uma clara estimativa de riscos e de gerenciamento desses riscos”, disse Ryan. “Entendemos que os riscos podem ser reduzidos, mas dificilmente chegam a zero.”

O diretor-executivo reforçou que países tenham “extremo cuidado” porque falta desse gerenciamento de riscos abre espaço para que aumente a transmissão da doença, mas que essa é uma decisão que parte da soberania dos Estados e dos comitês de organização.

 

Duas vias na pandemia

O chefe da OMS criticou a desigualdade na distribuição de doses da vacina entre os países e disse que a forma com que os imunizantes estão concentrados em países mais ricos criou uma “pandemia de duas vias”.

“Cada vez mais, vemos uma pandemia de duas vias”, disse Adhanom. “Seis meses desde que as primeiras vacinas foram administradas, os países de alta renda administraram quase 44% das doses mundiais. Os países de baixa renda administraram apenas 0,4%. O mais frustrante sobre essa estatística é que não mudou em meses.”

 

Fonte: G1.com
Foto: Christopher Black/OMS/Reuters