Qual é o time titular do Cruzeiro? Quem faz parte do grupo principal? A resposta a ser dada a esta pergunta – no ano de 2020 do clube – muda praticamente a cada semana. Desde o começo do ano, a Raposa convive com um intenso “vai e vem” de atletas, sem uma definição do elenco e, consequentemente, sem saber qual é o time principal.

Os últimos episódios mostraram que o time é refém dos seus problemas financeiros, mas também vem mudando ao longo do tempo. Trazido de volta pelo clube, após insucesso no empréstimo ao Athletico-PR, Marquinhos jogou quatro jogos pela Raposa e já decidiu sair.

No caso do jogador, a questão financeira pesou. Marquinhos não gostou nada de saber que outros atletas receberiam acima do teto (R$ 150 mil), e ele não. Por isso, pediu para deixar o clube. O jogador e a Raposa negociam ainda os valores que o meia tem direito a receber e a forma de pagamento. O contrato será rescindido.

Caso de Matheus Índio: foi contratado a pedido de Ney Franco, chegou num momento em que o Cruzeiro estava impedido de registrar novos atletas. No momento que pode ser registrado, clube desistiu e ficou com ônus de pagar parte do valor do contrato.

Outro caso recente é de Zé Eduardo. O jovem atacante foi emprestado ao América-RN, após disputar o Campeonato Mineiro pelo Villa Nova. Com o impedimento de registrar atletas, o Cruzeiro o chamou para compor o grupo. Atuou por apenas 20 minutos. Não é tido em conta por Felipão e chegou próximo a retornar ao clube potiguar. Não deu certo, e o jogador está de volta. Sem definição de futuro.

Casos como de Marquinhos e Zé Eduardo também ocorreram com Henrique, Jadson e Sassá. Os três começaram o ano fora dos planos do clube, sendo emprestados para Fluminense, Bahia e Coritiba, respectivamente. Mas voltaram no decorrer da temporada, a pedido da Raposa.

Jogadores de 2019, foram relacionados em 2020 e saíram: Rafael (goleiro); Edilson e Weverton (lateral), Ariel Cabral (volante) Rodriguinho e Robinho (meias) . Além deles, treinaram no começo do ano: Dodô (lateral), Ederson (volante) e Fred (atacante).

Um terceiro caso, no momento, é de Daniel Guedes. O lateral direito foi para o Goiás, que, entretanto, não chegou a um acordo com o Santos, dono dos direitos econômicos do jogador. Sem tempo hábil para registrá-lo, o time goiano desistiu da contratação, e o atleta agora terá o futuro definido pelo Cruzeiro – clube em que estava emprestado – e o Santos.

Outros episódios:

Ramon: zagueiro se apresentou na Toca da Raposa, uma vez que tinha um pré-contrato, mas sua integração foi descartada inicialmente. Após discussões entre seu staff e diretoria, inclusive com ameaça de caso virar processo judicial, jogador foi integrado ao grupo. Hoje é titular do time.

Ramon, zagueiro do Cruzeiro — Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro

Patrick Brey: lateral começou o ano emprestado à Ferroviária. Com a chegada de Enderson Moreira, voltou de empréstimo. Ainda com o treinador, o jogador recebeu proposta da Alemanha e foi afastado do grupo. Situação na Europa não avançou, mas jogador continuou em atrito com o clube por causa da renovação. O caso foi apaziguado, e Brey foi reintegrado. Vem atuando como titular com Felipão.

Jogadores contratados em 2020 e que já saíram: Marllon (zagueiro), João Lucas (lateral esquerdo), Jean (volante), Everton Felipe e Matheus Índio (meias); Angulo, Roberson e Jhonata Robert (atacantes). Além deles, Arthur e Judivan, que voltaram de empréstimo, não estão mais no time.

Atletas contratados e que permanecem: Ramon (zagueiro), Raúl Cáceres, Rafael Luiz e Giovanni (laterais); Machado (volante); Claudinho, Régis e Giovanni (meias); Marcelo Moreno, Rafael Sobis, William Pottker, Arthur Caíke e Airton (atacantes)

Vai e vem na base

Vem sendo intensa também desde o começo da temporada. A começar pelos jogadores que foram promovidos para compor o elenco cruzeirense no começo do ano. Entre eles, ainda permanecem no grupo principal:

  • Paulo (zagueiro, que também chegou a voltar para a base, mas voltou ao time principal)
  • Matheus Pereira (não era tido em conta, inicialmente, quase foi emprestado ao futebol português, mas virou titular do time)
  • Adriano (volante, que foi titular no começo do ano, mas perdeu espaço no decorrer do ano)
  • Stênio (jovem atacante, que chegou a ser titular do time e se recupera de cirurgia)
  • Thiago (começou o ano como titular, mas também perdeu espaço)
  • Welinton (ficou perto de ter o contrato rescindido, mas foi reintegrado)

Além destes jogadores da base, outros fizeram parte do grupo principal, mas voltaram ao Sub-20. É o caso dos laterais Valdir e Danilo, o volante Pedro Bicalho (rescindiu contrato, após ato de indisciplina), além dos atacantes Riquelmo e Alejandro.

Também fizeram parte do grupo cruzeirense, chegando a atuar pelo clube e foram vendidos no decorrer do ano: o zagueiro Edu (ao Athletico-PR), além dos meias Maurício (Internacional) e Caio Rosa (Al Sharjah).

Time sem identidade

As constantes mudanças no elenco cruzeirense fizeram com que a equipe nunca tivesse um time base durante o ano. Um dos motivos para explicar a fraca campanha no Campeonato Mineiro, a saída prematura na Copa do Brasil e também a campanha bem abaixo na Série B.

Elenco do Cruzeiro com Felipão — Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Contribuiu também para isso o fato de o Cruzeiro ter tido quatro treinadores na temporada. Adilson Batista começou o ano, sendo demitido na nona rodada do Campeonato Mineiro. Enderson Moreira assumiu o time no início da pandemia, mas não resistiu aos maus resultados na Série B. Assim como Ney Franco. Assumiu Felipão, que agora tenta uma reação inédita na competição para conseguir o tão sonhado acesso à Série A.

Fonte: G1
Foto: Igor Sales/Cruzeiro